Diário Financeiro | Abril-2019

Diário Financeiro

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Ao decidir iniciar um blog sobre Finanças Pessoais, meu objetivo principal é compartilhar conhecimentos que considero relevantes e contribuir para a comunidade virtual que se dedica à educação financeira no Brasil, um país que precisa, e muito, do maior número de referências possíveis sobre o tema.

O fato de apresentar conteúdos que busquem aumentar a qualidade no entendimento do mundo das finanças para os leitores não exclui a importância da minha própria construção como um bom gerenciador das minhas finanças.

“Self-reflection is the school of wisdom.” – Baltasar Gracian

Acredito que um dos pilares para sermos bem sucedidos nos resultados de nossas escolhas financeiras, desde o poupar, passando pelo consumir até o investir, está em REFLETIRMOS sobre nossas ações. Pensar sobre como nós tomamos nossas decisões e melhorar nossas ações, seja tirando conclusões dos resultados ou buscando conhecimento adicional, está no centro do nosso sucesso financeiro.

É com esse espírito que inicio aqui o que chamarei do meu Diário Financeiro, um exercício de reflexão sobre as ações e resultados mês a mês no que se refere ao meu orçamento pessoal e portfólio de investimentos.

Por ser o primeiro, esse post será mais extenso que os demais.

Vamos lá!

Se tem uma coisa que acredito é que grande parte do sucesso financeiro está em uma gestão eficaz do orçamento pessoal. É aqui onde toda a mágica acontece, principalmente no cenário onde a grande maioria de nós se encontra, onde a renda gerada via nosso capital humano é esmagadoramente maior que do nosso capital financeiro.

“Não se gerencia o que não se mede, não se mede o que não se define, não se define o que não se entende e não há sucesso no que não se gerencia. ” – W. Edwards Deming

Gosto de dividir meus objetivos nesse pilar da gestão financeira em três categorias (que gosto de nomear pelo verbo das ações a que se referem), cada uma com um objetivo declarado e indicador(es) para mensurar o quão”em linha” estou dos meus objetivos (eventualmente irei ampliar essa lista):

Clique para uma versão maior da tabela

1. Produzir

Eu como a grande maioria das pessoas acabei seguindo o mais dos tradicionais caminhos que alguém possa seguir quando sai dos anos de estudos, virei assalariado. Não considero necessariamente isso um mal em si, como qualquer outro caminho possível (empreender, por exemplo) existem vantagens e desvantagens.

Índice de aumento anual de renda

O importante agora é observar a evolução desse caminho escolhido, tentar entender se a máxima da melhoria contínua está sendo atendida. De certa forma, como o gráfico abaixo demonstra, desde o início da minha carreira venho tendo bons ganhos em termos de rendimento gerado pelo meu trabalho (para o levantamento dos dados utilizei os ganhos anuais, antes dos impostos, para fins de simplificação). Porém, a taxa de crescimento dos meus rendimentos está diminuindo ano após anos, o que já era de se esperar visto que é assim que as carreiras funcionam, o salto de salário de estagiário para efetivo é relativamente mais significante que os demais saltos na escala corporativa (pelo menos até os cargos de gestão).

Espero nos próximos anos continuar com meu aumento anual de renda nesses mesmos patamares (14% de 2017 para 2018), e sendo conservador para 2019, espero um incremento de, pelo menos, 10% do apurado em 2018.

Além da Renda Ativa, alguns dos papéis no meu portfólio nesses últimos anos acabaram gerando um pequeno fluxo de Renda Passiva que foi integralmente reinvestido. Minha estratégia de investimento, conforme explorarei depois, não foca necessariamente em ter em carteira ativos geradores de renda (isso naturalmente mudará com o passar dos anos) então não faz muito sentido colocar uma meta para ampliação do fluxo de renda passiva. Atualmente a evolução do patrimônio financeiro e a rentabilidade são aspectos que olho com muito mais atenção.

Índice de concentração de fonte de renda

Meu objetivo atual não é ampliar muito meu fluxo de renda passiva, porém tem uma questão que considero como o “calcanhar de Aquiles” da minha vida financeira atual. O alto índice de dependência de uma única e exclusiva fonte, a empresa para qual trabalho.

Nos últimos 12 meses (abr/18 – abr/19) aproximadamente 98% da minha renda veio dessa fonte. Considerando o cenário atual da indústria que trabalho, as últimas avaliações do meu trabalho e os resultados da empresa, a perda dessa fonte de renda não é um risco iminente, porém, se é verdade que é importante a diversificação na hora de investir essa característica também é importante na geração de renda. Nunca se sabe o dia de amanhã.

É por isso que uma das metas que coloquei para 2019 é de estabelecer uma terceira fonte de renda, além da renda do emprego e da passiva originada das aplicações financeira. Isso deve reduzir a fragilidade no meu “sistema financeiro pessoal”.

Enxergo um segundo benefício caso consiga emplacar algum empreendimento (ideias em estudo), que é o de ampliar o “cap”, ou seja, o potencial de geração de renda. É uma verdade dura, mas (quase) ninguém fica rico apenas trabalhando (da uma olhada aqui ou aqui) em troca de um salário.

2. Poupar

Aqui a regra é clara, se a intenção é alcançar a independência financeira, não ajuda em nada gerar montanhas de dinheiro via renda ativa se uma parte disso não for poupado.

Colocando na ponta do lápis, o ato de poupar no início de qualquer jornada rumo a independência financeira tem muito mais relevância no resultado final do que qualquer resultado gerado pelo portfólio de investimento (considerando que o dinheiro poupado não está sendo “queimado” por investimentos ruins, o que não é o caso).

Já adiantando para uma visão do meu patrimônio financeiro atual, essa questão da importância dos aportes é facilmente observada no gráfico da evolução do patrimônio. Este mês alcancei a marca de R$ 182.985,58 em patrimônio financeiro, bem longe da tão sonhada Independência Financeira, mas com uma evolução consistente dados os meus rendimentos nada colossais citados acima. Deste montante, 79% veio majoritariamente dos aportes, mesmo conseguindo uma rentabilidade superior ao CDI historicamente (voltarei nisso na parte do Portfólio). A tendência desse índice é de se reduzir ao longo do tempo, mas dá para entender o quão importante são os elevados índices de poupança no começo da jornada.

Índice de poupança

Até o começo de 2018 eu não tinha o costume de controlar minhas finanças de forma “espartana” como agora, onde tudo é planilhado e analisado, mas considerando meus rendimentos, antes dos impostos, desde 2013 estimo que meu índice de poupança é de 35% nesse período, consequentemente considerando a renda líquida (após impostos) esse resultado é maior, em linha com uma boa meta para alguém que começa a vida financeira. Já apurando o resultado “na vírgula”, nos últimos 12 meses (para considerar normais variações na renda, como bônus, por exemplo) o meu índice de poupança é de 37,4%, dentro da meta.

3. Consumir

Antes de entrar na avaliação das minhas despesas, vale fazer uma observação sobre como eu as categorizo no meu acompanhamento. Basicamente divido meus gastos em quatro tipos (para mais detalhes, vale a pena conferir este post aqui do blog):

  • Necessidades: Tudo o que eu considero como básico. Aqui encontra-se tudo o que é gasto com moradia, transporte, alimentação, etc.
  • Desejos: Nessa categoria encontram-se todas as despesas que avalio serem responsáveis por incrementos na minha qualidade de vida, mas, que conseguiria viver sem em condições de estresse financeiro. Viagens, assinaturas de streaming e festas são alguns exemplos.
  • Evolução: Essa é uma categoria não muito comum, porém ao longo do tempo achei importante separar todos os gastos que considero como investimentos não financeiros, como despesas com educação, que teoricamente contribui para aumentar meu capital humano, ou mesmo o que é gasto com saúde preventiva (academia, tratamentos, etc.).
  • Extra: O residual, gastos que por qualquer motivo não consegui identificar no que foram feitos. Essa categoria não deveria existir, mas nem todo controle é perfeito.

Apurando o resultado dos últimos 12 meses, mais uma vez para retirar variações que acabam ocorrendo naturalmente entre meses, como a concentração de impostos no começo do ano ou um determinado desembolso com uma compra grande (pense na compra de um computador, por exemplo), segue abaixo meu perfil de consumo por categoria de gasto (% sobre meus rendimentos).

Necessidades

39% dos meus gastos são com necessidades, abaixo, mas não muito, do máximo definido em meta que é de 40%.

Sem entrar em muitos detalhes, o que me preocupa mais nessa categoria é o peso dos meus gastos com transporte (manutenção do carro, combustível, estacionamento, etc.). Sim, ter carro é como ter um filho e é por isso que espero nos próximos meses alugar um lugar mais perto do trabalho, reduzindo relativamente minhas despesas com transporte, o que será contraposto por um aumento com despesas com moradia, porém um menor tempo do trânsito deve representar uma melhor qualidade de vida.

Desejos

16% dos gastos nessa categoria, dentro da meta. Aqui sempre há oportunidades de cortes (gastos são como unhas, sempre precisam ser cortados), porém analisando o último ano e a tendência, não há nada que gere preocupações maiores.

Evolução

6% dos gastos com cursos, academia, entre outros. Esta é a única categoria que eu tenho como meta ampliar os gastos, relativamente e absolutamente. Meu momento atual de carreira pede uma complementação de conhecimento através de cursos que gerarão custos em um futuro próximo.

4. Investir

Alocação e aportes

Como já adiantei, meu patrimônio financeiro está na casa dos R$ 180 mil e crescendo a cada mês. Nesse primeiro post focarei na alocação do meu portfólio por classes de ativos e em posts futuros entrarei nos detalhes dos papéis e fundos da carteira.

Como dá para observar nos gráficos acima minha carteira atual está com um perfil que eu considero entre moderado e conservador.

Hoje a maior parcela dos meus investimentos estão alocados em RF pós fixada via um Fundo DI (com 0,3% a.a. de tx. de administração), considerado o investimento mais conservador hoje disponível. Essa posição nessa proporção atual tem basicamente duas explicações, (i) aqui deixo alocado meu Fundo de Emergência (com meta atual de saldo de R$ 30 mil) e (ii) estou aguardando um cenário que na minha visão faça mais sentido migrar parte desse dinheiro para RV. Esse cenário de volatilidade gerado pela novela nacional da Reforma da Previdência (entre outras trapalhadas “grátis” do governo) somada a um cenário externo meio nebuloso com toda essa discussão comercial EUA x China, não me parece um bom cenário para uma rebalanceamento muito agressivo migrando de RF para RV.

Apesar dos pontos acima, é verdade que para um investidor de longo prazo, todo esse barulho de curto prazo possui menor relevância, mas também é verdade que aportar uma grande proporção do portfólio de uma vez em uma determinada classe que passe a se comportar não muito bem no médio prazo pode influenciar negativamente a performance geral. Dito isso, espero nesses próximos meses (começando agora em Maio) realizar esse rebalanceamento na carteira (de RF para RV) de forma bem gradual, talvez com movimentações quinzenais (a depender das condições de mercado) para alguns ativos e fundos que estão no meu radar.

Superada a parcela da RF, a segunda maior proporção do meu portfólio encontra-se em Ações (22% da carteira), via compra de papéis diretos (em menor grau), FIA (Fundos de Ações) e também ETF (basicamente SMAL11).

Em terceiro lugar estão os fundos multimercados (14% da carteira), aqui em Abril as aplicações estavam basicamente em um fundo quantitativo e um FoF (Fund of Funds).

Logo após temos os Fundos Imobiliários (8% da carteira) e por fim a classe Commodities que corresponde basicamente a uma posição que possuo em um fundo que busca acompanhar a cotação do Ouro nos EUA, é uma posição que gosto de deixar principalmente como hedge.

Este mês não fiz nenhum aporte à carteira, como já adiantei, apesar de ter uma boa disciplina em poupar em investir nem todo mês isso se materializa, porém no mês anterior (Março/19) foi realizado um aporte de R$ 12.150,04, que foi basicamente destinado ao Fundo DI.

Rentabilidade

Este mês fechei com uma rentabilidade, de apenas, 0,5%, infelizmente perdendo para o CDI. Abaixo uma tabela com a minha performance histórica de 2015 para cá.

Falando em atribuição de performance (gráfico abaixo), ou seja, o quanto cada classe de ativos no portfólio contribuiu para o resultado global de 0,5% em Abril, as principais contribuições positivas vieram das Ações, RF Pós, RF Inflação e dos Fundos Imobiliários, enquanto que os Multimercados e o fundo de ouro performaram mal.

Considerações finais

Este post funcionou como um primeiro exercício de fazer uma análise das minhas finanças, acabei ficando na superfície de grande parte dos temas devido ao tamanho do conteúdo, então nos próximos meses escolherei temas específicos para analisar, como quais os papéis específicos eu tenho na carteira, como se deu a evolução da alocação por classe na minha carteira desde 2015, o nível de risco do portfólio, etc.

Se posso tirar uma conclusão sobre tudo exposto aqui é que sigo com consistência e disciplina na gestão do meu orçamento, o que foi o grande responsável pelo meu nível atual de patrimônio financeiro, e que minha carteira de investimentos também encontra-se relativamente saudável, porém há grandes oportunidades de buscar alternativas que elevem a rentabilidade dela.


Disclaimer: O objetivo do blog é apresentar conteúdo em caráter exclusivamente educativo e informativo para contribuir com as discussões relacionadas ao tema Finanças Pessoais entre os leitores. Todas as estratégias e opiniões aqui apresentadas são de cunho pessoal, portanto devem ser consideras por terceiros como exemplos e não como guias definitivos.

A recomendação é de que todo leitor busque o máximo de informações possíveis, de diversas fontes, ao tomar decisões sobre a gestão de suas finanças. Caso não tenha o conhecimento necessário e suficiente, procure sempre um profissional habilitado e capacitado para auxiliá-lo em seu planejamento financeiro.

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